Comunidade, Ativismo e a Cena Downtown
Comunidade, Ativismo e a Cena Downtown – um documentário independente sobre a cena experimental de Nova York.
Direção de Cristiane Bouger
Artistas que movimentaram a lendária década de 60 como Ellen Stewart (La Mama) e The Living Theatre, além de Jennifer Monson, Lynn Book, Tere O’Connor, Charles Dennis e Guerrilla Girls, entre outros, apresentam depoimentos sobre as transformações sociais, políticas, culturais e estéticas que a arte, o papel da comunidade, o ativismo feminista, o ativismo político, a AIDS, o punk rock e a economia trouxeram para a cena artística experimental.
Com concepção, direção e fotografia de Cristiane Bouger, este projeto foi realizado como uma forma de compartilhar com sua comunidade artística no Brasil, um olhar intimista sobre a comunidade artística de NY. Questões existenciais, econômicas, sociais e estéticas que revelam uma cena, mas não estão restritas a ela, são aqui compartilhadas, possibilitando através de um recorte geopolítico específico, uma reflexão sobre o papel do artista na sociedade capitalista contemporânea.
Com: Anja Hitzenberger, Charles Dennis (P.S. 122), Dean Moss, Edward Ratliff, Ellen Stewart (La MaMa Experimental Theatre Club) + Ozzie Rodriguez, Guerrilla Girls, Guerrilla Girls On Tour, Jennifer Monson, Joel Bassin (The Wooster Group), Lauren Saffa (Women Center Stage/The Culture Project), Lynn Book (Voicelab), Margarita Guergue, Martha Bowers (Dance Theatre Etcetera), Rosane Chamecki (ChameckiLerner), Tere O’Connor (Tere O’Connor Dance), Wendy Tremayne + Marina Potok + Dawn Ladd. Participação Especial: The Living Theatre. E ainda: Christina Campanella, Lavinia Co-Op, Sharon Jane Smith e Uncle Jimmy’s Dirty Basement.
Roteiro, Direção e Fotografia: Cristiane Bouger
Edição e Videografismo: Magno Borgo
Assistência de Edição: Luan Voigt
Consultoria em Fotografia: Tiago Martins Borges
Assistência de Fotografia: Roger Regner
Trilha Sonora Original: Wandula
Tradução: Margarida Gandara Rauen (Margie)
Arte: Roger Regner
Assessoria de Imprensa: Gustavo Bitencourt
Web Design: Anderson Maschio
NOVA-IORQUINA TEM ESTRÉIA MUNDIAL EM CURITIBA
(por Gustavo Bitencourt)
Década de 1960. Em todo o mundo explodem manifestações artísticas de vanguarda – a Pop -art instituída por Andy Warhol e a interdisciplinaridade transcontinental do grupo Fluxus (que pudemos ver recentemente em exposição no Museu Oscar Niemeyer). Em Nova York, o Greenwich Village, berço da comunidade artística da cidade, borbulha de idéias, exposições, espetáculos, ações de rua. É o nascimento da dança pós-moderna americana, do movimento off-off-Broadway, da música minimalista.
Em Comunidade, Ativismo e a Cena Downtown – um documentário independente sobre a cena experimental de Nova York, longa-metragem realizado e dirigido por Cristiane Bouger, há um resgate dessa cena nova-iorquina e também os contrastes e alterações que ela vem sofrendo a cada década. O documentário foi em sua maior parte gravado em Nova York, e a edição e finalização foram feitas em Curitiba de forma independente. O objetivo era compartilhar esse registro histórico com a comunidade artística local.
Porém o público que não está familiarizado com esses nomes não precisa ter medo. “Apesar de ter sido pensado com uma finalidade específica, assistir ao filme não depende de nenhum conhecimento prévio”, afirma a diretora. “Ele traz uma série de referências e uma grande quantidade de informações, e todos podem sair entendendo um pouco mais sobre a cena experimental de Nova York.”
Além de entrevistas, performances e ensaios de artistas como Margarita Guergue, Tere O’Connor, Guerrilla Girls, Anja Hitzenberger, Joel Bassin (The Wooster Group), Ellen Stewart (La MaMa), o filme traz ainda registros de situações recentes, como a grande marcha contra o Partido Republicano e George W. Bush, que ocorreu meses antes das eleições que dariam a ele o novo mandato presidencial.
Essas imagens servem como um contraponto entre o cenário político atual e o da época. Isso porque, segundo Cristiane, “toda aquela cena estava de certa forma ligada a um contexto geopolítico específico, e existia ali um senso de comunidade e ativismo conectado a fatores históricos significativos da época, como a Era Kennedy, a Guerra do Vietnã, o início dos movimentos étnicos e feministas e a militância gay”.
Essa noção de comunidade se estendeu à produção do filme, que só pôde ser realizado com a colaboração tanto dos artistas que deram depoimentos e cederam suas imagens, como dos integrantes da equipe técnica e produção, contando, por exemplo, com a arte gráfica criada por Roger Regner, edição de Magno Borgo, tradução de Margarida Rauen (Margie) e trilha sonora composta pela banda Wandula.
A artista – que foi bolsista da Casa Hoffmann em 2003 e que hoje integra os coletivos Couve-flor e e/ou em Curitiba – na época das filmagens participava de uma residência no The Kitchen (NY), e captou em torno de 25 horas de material bruto usando apenas uma câmera de mão. Por conta disso, houve uma preocupação ainda maior com a qualidade da montagem e finalização, para que todos os envolvidos no projeto pudessem ficar satisfeitos com o trabalho realizado. Após a estréia, que acontecerá no Cine Luz, em Curitiba, Cristiane pretende fazer ainda uma nova exibição em Nova York, ainda este ano. Instituições nacionais e internacionais deverão receber cópias do DVD a médio prazo.


