Index Generator

Curadoria de Èrika Frankel e Carlo Sansolo

Percebemos o espaço urbano, como lugar de confronto, de ameaça, abandono, luta pela sobrevivência e entretenimento, como um lugar de transito e passagem dentro de uma sociedade.
Através dos trabalhos apresentados temos uma mostra significativa para começarmos a refletir sobre todas essas ambigüidades presentes nas grandes cidades, e sobre a influencia massiva da mídia, que a todo momento cria novos ídolos e novos objetos de alegria, como uma constante enxurrada de alienação e euforia coletiva, do outro lado todo o desenvolvimento econômico, cientifico e tecnológico convivendo com demandas sociais negociações entre trabalhador e empresa, assim como desemprego correndo lado a lado com confrontos religiosos, abuso de sistemas de segurança, disputas territoriais, como zonas complexas de entendimento, como se a hiper comunicação dos meios informativos convivesse com a grande alienação das massas (escapismo), falar então de beleza e poética em meio a essa realidades paralelas, poderia parecer ingênuo, mas a necessidade de continuar procurando novas referencias em imagem e percepção poética se transmuta a cada década, seria também uma necessidade e um desafio, como uma continua expansão da percepção e tentativa do desenvolvimento do que entendemos como consciência.
Mesmo em meio a essa constante transição de identidade em que nos encontramos, e a constante disputa entre instituição e individuo, onde o individuo se vê impotente na maioria das vezes, condenado a desenvolver a doçura como forma de adaptação e sobrevivência.
A arte não pertenceria ao mundo linear/sistemático como coloca Artaud, mas a urgência e necessidade de um dialogo do ser no mundo, numa busca constante de confronto e reavaliação, uma forma de alimento, um espaço sempre aberto mesmo que utópico, mas ainda assim um espaço de lutas de conceitos e mudanças de percepção, um território nômade.

Parte da curadoria é dedicada não exatamente ao espaço urbano, mas sim sobre a instrumentação deste, vídeos feitos com procedimentos que constroem a nossa sociedade da informação, informação processada e re-processada. Informação em diversos layers. Os vídeos falam dessa sociedade com os mesmos tipos de recurso que estas usam, se apropriando do próprio “modus operandi” desta. Outro fator importante é a analise da mídia de massa, que é outro elemento que une a sociedade e lhe preenche de valores super estruturais, é o autentico substituo da religião, nutrindo a sociedade com valores desejáveis, para a continuidade da mesma. O vídeo arte entra aí como uma espécie de antídoto à leitura esperada e pacificadora da tv e outros meios de informação. Assim essa coleção tenta não só falar sobre o “ponto crítico” mas também usar parte das suas estratégias e elementos estéticos. Re-significar suas fantasias e sua produção simbólica.
O nome “index generator” 2, tirado de um vídeo dessa curadoria, para nós implica justamente nessa capacidade que o capitalismo contemporâneo tem de gerar discursos ininterruptamente, de forma que nos parece quase aleatória e massiva.


Masayuki Kawai – About a Theological Situation in the Society of Spectacle – 2001 – 6’30” – Japão
Talentos da TV e Mikados são referidas ubiquamente não como símbolos mas como alegorias. A imagem citada pela Sociedade do Espetáculo nos alucina a sua própria ruína, pelo uso deliberado de imagem de mass-media.

Marcello Mercado “Das Kapital version.07 .”17 minutos –2003 – Argentina
Comandar linhas, programar lingo, coordenar instruções e comandos de edição de vídeo criam a ilusão fatal de mestria sobre a tela e isso é database embutida. O expectador/mestre em sintonia com o fluxo caótico de capital e imagens nunca é confrontado com o impacto deste fluxo virtual no real. Não é surpresa que um trabalho extraordinário como Das Kapital versão.07 se origine de um artista que viveu maior parte de sua vida na Argentina, onde os resultados de amor duro e correção de mercado de pós-especulação está claro a ser visto onde os vetores caóticos globais, algoritmos e variáveis produzem um resultado em carne e sangue.

Joacélio Batista & Pablo Lobato – Artificios do olhar/2005/ 20´
Zulus, Brancos e Indianos formam a rede de personagens deste vídeo.
Como um espelho, o monitor de cristal líquido de uma câmera é oferecido a diversos moradores de Durban, terceira maior cidade da África do Sul.
Ao se olharem através do monitor, vemos a entrega do corpo diante de seu reflexo. Somos convidados a uma visita pela intimidade do sujeito que olha.

Sagi Groner – Top Light and The Haunted Man – 2004 -12 :00 Israel
Neste vídeo de tela dividida Groner explora relações entre viver em um estado de hipnose, Big Brother e as indústrias e ciências de percepção. Nesta colagem sugestiva, usando cenas de arquivo do pré e pós 2GM ao lado de fotos de satélite, imagens de câmeras de segurança e web cams, a história do The Haunted Man (Homem Assombrado) se revela. Claire e Don, os personagens principais, questionam juntamente com o espectador sobre estar acordado e atento, ao passo que eles se deixam levar para dentro e para fora do estado de hipnose em sua busca pela Top Light (Luz de Cima).

Andrés Senra – cómo explicar a un hijo artista el significado de lo sublime en jardín de un chalet adosado”. . 6 minutos. Espanha. 2003
Uma reflexão sobre a vida nos espaço de circulação das grandes cidades, áreas urbanas de arquitetura periféricas onde a pseudo burguesia faz suas atividades cotidianas, alienados da realidade social mais próxima; sou o produto da distorção, nasci nestes espaços, o ultimo onde vivi com minha mãe se chama ‘setor 3’, creio que o nome diz tudo.

Erika Fraenkel -A copia e os desajeitados – 6:00 – 2006 – Brasil
Um vídeo que expia a circunstancia de abuso da sociedade , onde a sedução constante nos torna ainda mais impotentes, uma analise sobre a impossibilidade do homem hoje se sentir em casa , relato sobre a ansiedade do mundo atual.

Mylicon/En – Chrom, 4\’23\” -2004
Tito Lucrezio Caro, De rerum natura, livro IV
Chrom é um raid imaginário de Mylicon/En em um teatro operacional: um vídeo/corpo anestesiante, uma perda temporária de consciência, um estado no qual tudo vai fluindo e as fronteiras entre o corpo e o espaço ficam obscurecidas.

Steven Ball – metalogue – 26:37 – 2003
Metalogue é um diario de viagem, que usa técnicas formais para explorar um espaço temporal, ressonância e fenômeno. *

Interspersed with interludes that combine digital excess, abstracted text and voice reciting information relating to the digital video material, and collages of public announcements.

Carlo Sansolo – Ozuland 001 – 9:50 min – 2006
ozuland001 é uma compilação audio/video/texto que analisa os nossos velhos suspeitos. controle – mass media – capitalismo pós industrial – falta de consciência e outros sintomas habituais.

Sagi Groner – Misshapen -2006 -19:35 min
um piloto, um dj, um mestre em kung fu e desenvolvimento em software, se encontram e comem maçãs, cortesia da Lockheed Martin.
Composto inteiramente de imagens encontradas na internet, Misshapen (dês-acontecimento) é uma meditação sobre as maquinas e a filosofia da precisão.

Larissa Sansour – Happy days – Palestina/ Dinamarca – 3:00 – 2006
Happy Days é um vídeo que expõe o dia a dia da vida Palestina sob a ocupação israelense.
Neste vídeo, uma colagem de fotos e imagens feitos nos territórios ocupados é acompanhado pela musica tema do seriado dos anos 70 “Happy Days”. O video prThe piece provides imagery different from that of news
footage. The contrasting music underlines the general public’s apathy when
confronted with world conflict. The idea is to subjugate international
politics to a format normally associated with entertainment and thereby call
attention to the blurry boundary between the two.

Pascal Liévre e Benny Nemerofsky Ramsay – Patriotic Act – 2005 – França e Canada.
Os autores cantam as medidas de contra espionagem do governo de George W. Bush ao ritmo de Celine Dion.

Andrés Senra – lluvia dorada 2003 3min Espanha
Certos elementos da representação da guerra na história da arte são comuns em diferentes momentos e contextos históricos, a mass mídia vinculados ao poder político desempenham também o papel que os artistas historicamente assumiram ao representar as vitórias de seus monarcas. O imperador hierático, o poder militar, e o poder econômico junto com a presa capturada e submetida a uma médica no seu corpo.

Kentaro Taki exchangeable cities 5 min 2001 – Japão
O espaço urbano de qualidade e homogeneizado. Para representar a cidade falsa que é formada por vários elementos do mundo. A espetacularização da cidade faz algum sentido ao sobrevoar as imagens.Kentaro Taki simula nossa situação de estarmos rodeados pela mídia, pegando imagens de tv e as exibindo ao memo tempo. Em “Midia Cage”, ele abusa de imagens de programas de tv da Indonésia com imagens de turismo tropical para mostrar que nunca se escapa da globalização do mass media , que sugere uma forma de criticar a mídia de dentro dessa gaiola. Em “pessoas instáveis” ele expõe figuras da tv em frames repetidos, e revela que estes não tem significado para si próprios, apenas para a midia, que é quem impõe o sentido das coisas.

Grecu Mihai – Lenin/Lennon -4:40 – romenia/frança- 2006
Colaboração entre Pascal Lievre, Mihai Grecu e Emmanuel Delpy, este vídeo é um trabalho em camadas simbólicas: paredes tatuadas, epiderme como superfície, corpo feminino desenhado como na pele masculina. Baseado no discurso de Lênin e na canção de Lennon “imagine”, é um poema visual sobre a ambigüidade artística e falso humanismo.

Akiko Nakamura Kyoko 1 3:50 -2003 – Japão
KYOKO 1 is a urban portrait of a figure in time-based, digital way. In retrospect, it exudes a very subtle aversive feeling.

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