Poéticas nômades:arte, arquitetura e urbanismo da Internacional Situacionista – por Carlos Roberto M. de Andrade
Poéticas nômades:
arte, arquitetura e urbanismo
da Internacional Situacionista
O movimento político-artístico denominado Internacional Situacionista (IS) surgiu no fim dos anos 1950 buscando subverter a cultura burguesa vigente em plena guerra fria. Reagindo à espetacularização da vida, da sociedade e da arte, os situacionistas opunham ao homo faber o homo ludens. No campo das artes os situacionistas reagiam ao fetiche e mercantilização da obra de arte e preconizavam a participação ativa das pessoas no processo de produção artística. Críticos radicais da arquitetura e do urbanismo modernos, propunham a deriva como forma de conhecimento e intervenção no meio urbano, junto com uma cidade e arquitetura nômades, como o projeto do arquiteto holandês Constant Niewenhuis para “Nova Babilônia”.
Se a deriva pode ser entendida enquanto desdobramento da poética do gesto que se manifestava na arte do pós-guerra, como no expressionismo abstrato do grupo COBRA na Europa, ou de Pollock nos EUA, por outro lado, as concepções dos situacionistas produzirão múltiplas ressonâncias na arte dos anos pós-60, seja na idéia de “happening” e instalação artística, até a produção de grupos como “Fluxus”, ou na arte de rua com seus grafitis, dos quais os “situs” foram pioneiros em maio de 68 na França.
Nossa comunicação pretende traçar um quadro das propostas e realizações da IS, em especial no campo das artes, arquitetura e urbanismo, discutindo a hipótese de que suas poéticas apresentam um caráter nômade radical que marca as experiências artísticas contemporâneas, ao menos daquelas que ainda pretendem revolucionar o modo de vida atual, operando desvios nos símbolos do status quo, redefinindo seus significados numa perspectiva subversiva e anárquica.
Carlos Roberto M. de Andrade (Arquiteto e sociólogo, docente
do Depto. de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos – Universidade de São Paulo)