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Rede Aparelho – por Arthur Leandro
Sunday, October 12th, 2008O Canal Contemporâneo e a construção do espaço cibernético como meio social – por Patricia Canetti
Sunday, October 12th, 2008O Canal Contemporâneo e a construção do espaço cibernético como meio social
Patricia Canetti
Trabalhar o Canal Contemporâneo é pesquisar, experimentar e construir o espaço cibernético a partir de suas especificidades e principalmente de suas novas características como meio social.
Como entendemos este novo espaço que não se mede por largura, comprimento e altura? Como o habitamos? Como nos movimentamos dentro dele e para fora dele? Como o desenhamos e projetamos? Como se constrói este espaço?
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O ponto de partida para a construção do Canal Contemporâneo se deu na falta de comunicação da coletividade de arte contemporânea brasileira. Mais do que uma carência informacional, a deficiência de comunicação causava e refletia uma imobilização dessa coletividade – a falta de circulação de idéias é fatalmente responsável pelo enfraquecimento das articulações políticas necessárias ao desenvolvimento de um coletivo humano –, e, no nosso caso, o resultado não podia ser diferente.
O simples vai-e-vem de informação na rede sobre eventos de arte por si só, desde o início, já provocaria alguns rearranjos a partir da ampliação da visibilidade alcançada. Eventos alternativos, que no Canal experimentam a mesma importância de eventos “instituídos”, passam a acontecer em qualquer lugar, em ações de curta duração, sem a necessidade de uma estrutura reconhecida para ecoar junto à imprensa e ao público. Editais de arte têm suas inscrições triplicadas, quadruplicadas ou mesmo multiplicadas em dez vezes: diversificamos e ampliamos o acesso aos editais, mas também geramos uma saudável concorrência entre eles. Enfim, profissionais e organismos de diferentes vertentes artísticas e de várias partes do país ganharam um espaço de troca, viabilizando encontros heterogêneos e intercâmbios regionais.
Com a comunicação estabelecida no modesto início em 2001, com apenas 50 eventos divulgados durante o primeiro ano – marca que o Canal atualmente pode cobrir em apenas três semanas – vislumbramos no ano seguinte uma segunda camada de conteúdo nitidamente mais política.
Em episódios como o da exposição Panorama da Arte Brasileira no MAM-Rio X Jornal do Brasil[1], em que os curadores da exposição usaram o espaço do Canal para se defender de uma crítica superficial e leviana publicada neste jornal, e da exposição Morro/Labirinto no Paço Imperial X Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro[2], quando novamente o Jornal do Brasil usou um tom debochado para se referir à arte contemporânea, ficava claro que necessitávamos de outros espaços para desenvolver e aprofundar discussões críticas e políticas. Já nos casos do fechamento da Cinemateca do MAM-Rio[3] e do despejo da Escola de Artes Visuais[4] do seu lugar de origem, o Parque Lage, a demanda evolui para ações e mobilizações que viriam a amadurecer ao longo de nossa ainda curta trajetória.
Conforme avançamos na troca de informações e opiniões, criando um reflexo de nós mesmos, passamos a nos conhecer mais e a nos estranhar menos. Ao mesmo tempo em que nos reconhecíamos no jogo de padrões, formado pelas inúmeras relações conceituais, profissionais e institucionais que cada indivíduo e/ou organismo representa, experimentávamos novas relações que permitiam novas ações, redesenhavam padrões de comportamento e formavam novos espaços. Essas novas ações ao mesmo tempo em que exercitam alternativas aos poderes instituídos (sistema de arte, governo e imprensa), também retornam outras novas relações na coletividade a partir de suas vivências e de seus resultados. Sendo que alguns destes resultados, como foi o caso da mobilização que impediu a implantação de uma filial do museu Guggenheim no Rio de Janeiro, a ser subsidiada por recursos públicos, viriam a surpreender e até mesmo constranger a coletividade artística brasileira.
O abaixo-assinado do Guggenheim, como ficou conhecida essa mobilização, em resposta a uma nova política cultural do Prefeito do Rio de Janeiro, que, na virada de 2002 para 2003, interrompia um dos projetos mais democráticos já propostos em nossa cidade – um banco de projetos culturais enviados por artistas e produtores de todas as áreas que iria alimentar as ações do RioArte (fundação extinta agora em 2006 pelo alcaide/algoz da cultura do Rio de Janeiro). Um grupo de artistas e teóricos começou a se reunir para discutir as estratégias possíveis contra as políticas culturais ditatoriais, populistas e eleitoreiras, entre elas a construção do museu Guggenheim, e publicou no Canal Contemporâneo uma convocação contra tudo isso[5]. As reuniões continuaram no AGORA[6] e depois no Parque Lage[7]; uma lista de discussão, artesvisuais_politicas, conectava o grupo do Rio, enquanto o Canal Contemporâneo ampliava o alcance desta movimentação local[8].
Grupos de estudos destrincharam o Estudo de Viabilidade[9] do Guggenheim-Rio, a Análise desse último[10] e o contrato que seria assinado entre a prefeitura do Rio e a Fundação Guggenheim, listaram os possíveis danos ao mercado de trabalho e ao contexto culturais brasileiros e escreveram um documento[11], que abordava o uso de recursos públicos federais, através da Lei de Incentivo à Cultura. Pela primeira vez, profissionais da área se uniam para analisar e se posicionar perante uma postura leviana de governo, que afetaria diretamente o seu mercado de trabalho. É claro, porém, que não havia um consenso. Alguns profissionais acreditavam que de qualquer maneira a vinda do Guggenheim para o Rio de Janeiro impulsionaria a arte contemporânea brasileira, tanto nacional, como internacionalmente.
A sociedade civil representada pelo abaixo-assinado veiculado pelo Canal[12] e nas ações do grupo artesvisuais_políticas encontrou eco junto ao poder legislativo[13]. Juntos, produziram um extenso dossiê, que passou a circular em várias esferas da sociedade, chegando à imprensa que até aquele momento se mantinha omissa. Ainda assim, o prefeito da cidade do Rio de Janeiro assinou o contrato para a construção do Guggenheim. Nesse ponto, o poder legislativo acionou o judiciário que, através de uma liminar, suspendeu os primeiros pagamentos do referido contrato. Pela primeira vez, pelo menos na história recente do país, o meio de arte ativava o equilíbrio democrático: conectou-se aos dois poderes, legislativo e judiciário, para barrar uma atitude leviana e ditatorial do poder executivo.
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As articulações promovidas pelo Canal Contemporâneo até 2003 se davam através do recebimento de emeios e envio dos e-nformes (informativo eletrônico que na época era enviado quase que diariamente), por causa da precariedade de nosso sítio que ainda não disponibilizava qualquer tipo de acesso interativo. Em razão de nossa permanente deficiência tecnológica em relação às demandas da comunidade que se formava, a prática e conceituação do Canal sempre partiram das relações nele existentes e constantemente recriadas. Surge daí a proposição “As relações são o espaço” que, juntamente com o hipertexto, formará a dinâmica em camadas responsável pelo desenho de nosso espaço cibernético.
Por falar em desenho, é importante dizer que a arquitetura do sítio incorporou totalmente a cultura brasileira do “puxadinho” e foi sendo construído aos poucos, respondendo ao mesmo tempo às demandas e aos investimentos da comunidade. Pequenas somas arrecadadas nas assinaturas semestrais do Canal eram investidas na construção de algumas seções e na implementação de plataformas livres já existentes, o que resultou no que chamamos de “Frankenstein Cibernético”. Este “ser” aos pedaços em que o Canal Contemporâneo se transformou tornou-se o seu maior desafio tecnológico.
Em 2004, integramos interfaces de blog e fórum ao sítio do Canal, que finalmente ganhou alguma interação e passou a responder, mesmo que ainda muito basicamente, à necessidade de maior comunicação com a comunidade a partir do próprio sítio. Blogs e fóruns desde o início ancoraram conteúdos e serviços, mas principalmente serviram de plataformas para mobilizações, propostas de trabalhos e eventos táticos. Tecnopolíticas, Como atiçar a brasa e Quebra de padrão renderam boas discussões e manifestações que alcançaram alguns resultados importantes.
O tecnopoliticas.art.br começou a partir de um abaixo-assinado das Artes Tecnológicas, pedindo mudanças ao governo em relação à Lei de Incentivo a Cultura[14] cujo texto até hoje ignora a internet e as artes digitais. Primeiramente, com o objetivo de dar suporte ao abaixo-assinado e mantê-lo no ar (lembrando que o abaixo-assinado do Guggenheim, como já foi dito anteriormente, foi todo trabalhado apenas com as chamadas nos e-nformes), esse blog seguiu dando suporte a esporádicas mobilizações[15], como também ancorando textos e matérias referentes à área de Arte, Ciência e Tecnologia.
O contato travado com o governo federal a partir do abaixo-assinado não chegou a ser propriamente um diálogo, por estar a recém inaugurada política de cultura digital mais relacionada à inclusão digital, software livre e à indústria e menos às artes, mas ainda assim rendeu alguns avanços. Em 2005, na criação do Conselho Nacional de Política Cultural[16] foi dada uma cadeira para a representação das artes digitais e, em 2006, a nova regulamentação da Lei Rouanet[17] passou a contemplar a área de “artes visuais, arte digital e eletrônica” na formação da CNIC (Comissão Nacional de Incentivo à Cultura), comissão esta responsável pela aprovação dos projetos neste mecanismo.
Outro blog, o Como atiçar a brasa – proposta de um trabalho coletivo de mídia tática, que consiste em enviar emeios para os jornalistas, comentando as matérias publicadas em jornais e revistas, ou a falta delas, com cópia para o blog –, vai desenvolver esta vertente do Canal com objetivo de ampliar ainda mais o debate sobre políticas culturais e os espaços de discussão nas mídias convencionais e na sociedade.
Nesta troca com a imprensa, através do Como atiçar a brasa, alguns embates obtiveram vigorosos resultados. Em 2004, a discussão sobre a escultora Mazeredo resulta na criação da Comissão de Paisagem Urbana do Rio pela Secretaria Municipal de Cultura e a subseqüente retirada das peças de Mazeredo da Av. Atlântica[18], exigida pela recém criada comissão e tendo sido este o seu único ato conhecido até hoje. Ainda no mesmo ano, a discussão sobre o fechamento das galerias do Espaço Cultural Sérgio Porto resulta na manutenção de seu funcionamento[19], mesmo que com o seu orçamento totalmente prejudicado. E, por último, em 2006, o abaixo-assinado contra a censura à obra de Márcia X no CCBB[20], iniciado com uma carta da galeria A Gentil Carioca[21] exigindo o retorno da obra para a exposição Erótica, deflagra, além de matérias em jornais de várias cidades[22], o posicionamento do ministro da cultura Gilberto Gil[23]; de artistas e colecionadores expositores[24], da produção e da curadoria da mostra. Como resultado, ocorre o cancelamento da última etapa da itinerância para Brasília e surge o projeto de uma mostra sobre censura para acontecer no Museu Nacional de Belas Artes no Rio.
O Sérgio Porto protagonizou uma outra discussão no Canal, desta vez com a abertura de um fórum[25] a pedido de artistas envolvidos numa seleção que havia sido abortada pela Secretaria Municipal da Cultura. Pela primeira vez na história desta importante instituição, a seleção de portfolios de artistas para exposições no Sérgio Porto havia se tornado pública, com a divulgação feita no Canal Contemporâneo[26]. Mas, ao invés de recebermos o resultado dos selecionados na data prevista, surge meses depois um outro resultado… Esta não era uma atitude nova deste governo, que no ano anterior já havia cancelado a edição do Bolsa RioArte, quando a primeira fase da seleção já havia sido concluída. Artistas bradaram no fórum do Canal pela manutenção da legalidade do processo. Rendeu matéria de capa no caderno de cultura do jornal O Globo[27]; a publicação no Canal da ata da seleção original[28]; carta do novo curador e pedido de demissão da diretora das galerias do Sérgio Porto, ambos enviados para o fórum do Canal; e mais duas matérias no Globo, enfim, tornou-se claro e transparente mais um desmando na área da cultura no Rio de Janeiro. O que vimos começar na virada de 2002/2003 prosseguia e jogava desta vez as galerias Sérgio Porto num limbo cultural.
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O Quebra de padrão, lançado na mostra Hiper[29] em Porto Alegre e reeditado na Ocupação do Paço das Artes[30] em São Paulo, vai usar uma nova estratégia de ação ao entrar como trabalho em exposições de arte.
O Quebra de padrão trata do engessamento que vivenciamos em relação ao uso da camada informacional do Canal, que continua preso ao padrão ditado pelos meios impressos, que apenas se interessam pela novidade das aberturas dos eventos e não pelo evento em si – muito menos ainda pelo processo da arte que se torna visível nas exposições. O trabalho se apresentou e se desenvolveu de maneira bem diversa nestas duas edições. Na Hiper, apesar de uma ação vivencial, apresentou-se na rede com um formato crítico-jornalístico[31], por estarem apenas duas pessoas encarregadas da publicação dos posts: eu e principalmente Juliana Monachesi, jornalista, crítica e curadora de arte paulista cuja tese de mestrado[32] nasceria no Quebra, mas isso já é outra história… E, no espaço expositivo, o Quebra de padrão acontecia num par de computadores. Na Ocupação, buscou-se um maior transbordamento da exposição para a rede e vice-versa. Os artistas integrantes foram convidados a postar seus relatos de “ocupantes” no blog virtual e também no “blog físico”: um enorme quadro-negro pintado no espaço expositivo[33]. E, enquanto eu cumpria o meu turno na Ocupação, também havia um laptop para ser acessado. Estas duas configurações renderam resultados bem distintos, mas nenhuma delas foi capaz de quebrar o padrão da camada informacional do Canal. No entanto, o transbordamento buscado na Ocupação provocou um efeito dominó dos mais interessantes e desejáveis, com a publicação de uma discussão sobre a exposição que ocorria na lista do Coro[34].
Com o lançamento do evento, iniciou-se no Coro uma discussão sobre o uso do termo “ocupação” por parte de uma instituição cultural pública. Na época, o coletivo Coro estava envolvido na Ocupação Prestes Maia no Centro de São Paulo e na briga pela permanência de 2000 pessoas do MSTC – Movimento Sem Teto do Centro, que reivindicavam o prédio como moradia. Alguns integrantes do Coro comparavam a apropriação da “ocupação” pelo Paço das Artes ao Capitalismo e seus mecanismos de absorção de estratégias de resistência para digeri-las e subvertê-las. Outros, também participantes da mostra no Paço, achavam que a situação não era tão preto no branco como alguns estavam argumentando.
Logo de início, avisei à lista que publicaria os argumentos da importante discussão[35] no blog do Quebra de padrão. Depois de publicado na rede, as mensagens foram impressas e postadas também no “blog físico” da exposição, o que detonou o debate sobre o uso do termo na vivência da mostra. (Para compor a Ocupação, a instituição havia colocado uma condição aos artistas expositores para que estivessem presentes durante um turno diário pré-estipulado durante toda a exposição. Da mesma maneira como não houve curadoria em relação aos trabalhos expostos, tampouco existiu uma determinação sobre o que seria feito durante as horas de ocupação, o que nos levou a uma surpreendente vivência num espaço/tempo suspenso dentro da cidade de São Paulo.)
A discussão invadiu a Ocupação do Paço das Artes, contaminou os encontros da mostra, provocou uma resposta da diretora da instituição[36], que a postou no Quebra de padrão e a difundiu pela internet; esta mensagem instigou matérias nos jornais de São Paulo[37], com direito a respostas por parte do secretário de cultura[38], quando finalmente o motivo da exposição Ocupação veio à tona com todas as letras: a precariedade financeira desta instituição cultural e, porque não dizer, das instituições culturais públicas brasileiras como um todo.
Curiosamente, apesar da discussão suscitada e da ampla cobertura da imprensa, não houve na seqüência qualquer interesse da parte dos profissionais de arte, da mídia e da sociedade em saber mais sobre a situação das instituições culturais de São Paulo, que à época já estavam em processo de se tornarem Organizações Sociais. Atualmente, todas as instituições da cidade pertencentes ao governo do Estado de São Paulo já são OSs e continuamos a não saber o que a mudança significa e significará para o futuro de nossas instituições culturais.
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Com a última reforma do sítio do Canal, toda esta movimentação, que encontrou abrigo nos blogs e fóruns, foi reunida na seção Canal em ação, que este ano teve um novo blog agregado para servir à participação do Canal Contemporâneo no documenta 12 magazines[39].
O projeto documenta 12 magazines é um trabalho colaborativo inédito entre cerca de 80 publicações impressas e eletrônicas sobre arte contemporânea de todo o mundo. A partir dos três temas[40] da documenta de Kassel (Alemanha) que abre em junho de 2007, estimulam-se debates, trabalhos artísticos e formas variadas de reflexão sobre os eixos centrais da mais importante mostra de arte do planeta.
Vejamos a proposição do diretor artístico da documenta 12[41]: “Uma das questões fundamentais de uma exposição de arte que acontece no contexto de um mundo globalizado é o levantamento de conhecimentos locais específicos. Como conceber imagens que se originam, mas que vão além, das fronteiras de uma localização particular? Como esse conhecimento local pode ser representado na documenta 12? Como ele se manifesta? Como o processo de transferência acontece? Este é o ponto de partida do projeto documenta 12 magazines: não apenas um meio de transferência, mas uma forma de organização. Ao mesmo tempo, a criação da revista é em si mesmo um processo de comunicação que não apenas abre um sem número de temas e prioridades, mas que revela trabalhos.”
A possibilidade da diversidade que conhecemos na comunidade do Canal compor um mosaico participativo neste projeto aponta novos caminhos para as ações do Canal e novas perspectivas de rede. A densa trama originária na arte contemporânea brasileira agora encontra seus pares de outros pontos do planeta para colaborarem neste projeto. O encontro dos trabalhos, que se dará primeiramente on-line na plataforma, especificamente criada pela Documenta para este projeto, e depois na própria exposição, permitirá uma forma inédita de intercâmbio. Ao mesmo tempo em que enviaremos contribuições para a plataforma, pegaremos as contribuições de outras partes do mundo e as traremos para o nosso convívio, quando experimentaremos infinitas possibilidades de retrabalhar as trocas originadas neste encontro, que é ao mesmo tempo midiático, artístico e político.
Novas relações vão se somar às já existentes, para continuarmos o processo de construção do espaço cibernético que ocupamos. Com elas, novas dissociações também surgirão, como a que já estamos vivendo entre a proposição deste projeto da Documenta e a ausência da internet na edição “Como viver juntos” da Bienal de São Paulo. Sim, as dissociações tanto quanto as relações formam o espaço que construímos na rede.
Continua…
Leia o texto “O que pode ser feito ? (transformação)” apresentado no Encontro Transregional do documenta 12 magazines em São Paulo, realizado no Instituto Goethe nos dias 7 e 8 de outubro de 2006. Este texto está publicado no blog documenta 12 magazines: http://www.canalcontemporaneo.art.br/documenta12magazines/archives/000939.php como contribuição ao tema 3 da documenta 12 e aborda questões da economia de mercado da arte contemporânea brasileira.
Patricia Canetti é artista e criadora do www.canalcontemporaneo.art.br.
[1] Publicado em 9 de fevereiro de 2002: http://www.canalcontemporaneo.art.br/e-nformes.php?codigo=79
[2] O que incomoda mais?, publicado em 17 de março de 2002: http://www.canalcontemporaneo.art.br/e-nformes.php?codigo=107
[3] Em 2002, a partir de 2 de junho, vários informativos foram enviados tornando públicas as posições do MAM e do MinC, como também o abaixo-assinado e a audiência na ALERJ: http://www.canalcontemporaneo.art.br/e-nformes.php?codigo=188
[4] Publicado em 5 de março de 2002: http://www.canalcontemporaneo.art.br/e-nformes.php?codigo=97
[5] O abaixo-assinado tem início a partir de uma convocação veiculada pelo Canal Contemporâneo em 1º de fevereiro de 2003: http://www.canalcontemporaneo.art.br/e-nformes.php?codigo=426
[6] Espaço AGORA/Capacete – Espaço independente criado e gerido pelos artistas Eduardo Coimbra, Helmut Batista, Raul Mourão e Ricardo Basbaum, entre 2000 e 2003, situado no bairro da Lapa no Rio de Janeiro.
[7] Escola de Artes Visuais do Parque Lage, única escola de ensino livre de artes visuais no Rio de Janeiro: http://www.eavparquelage.org.br
[8] A mobilização contra o Guggenheim no Canal Contemporâneo e o histórico das publicações no Canal e seus respectivos linques: http://www.canalcontemporaneo.art.br/documenta12magazines/archives/000968.php
[9] Relatório do Estudo de Viabilidade, versão para discussão, Encarte Rio Estudos, publicado no Diário Oficial de 22/11/02.
[10] Comentários sobre o Estudo de Viabilidade do museu Guggenheim-Hermitage-Kunsthistoriches-Rio, por Maria de Lourdes Parreiras Horta, museóloga, com colaboração de Maria Inez Turazzi, historiadora (http://www.canalcontemporaneo.art.br/anexos/8.rtf).
[11] O Guggenheim, a Lei Rouanet e outras renúncias fiscais federais (http://www.canalcontemporaneo.art.br/e-nformes.php?codigo=438#4).
[12] Publicação com as últimas adesões em 25 de julho de 2003: http://www.canalcontemporaneo.art.br/e-nformes.php?codigo=162#10
[13] O Legislativo aqui se fez representar pelos vereadores do Rio de Janeiro Mário Del Rey (PSB) e Eliomar Coelho (PT), sendo que este último foi responsável pela liminar.
[14] Mobilização pela Arte Tecnológica veiculada no Canal Contemporâneo a partir de 20 de março de 2004: http://www.canalcontemporaneo.art.br/tecnopoliticas/archives/000065.html
[15] Abaixo-assinado para referendar a lista tríplice de candidatos à cadeira de Artes Digitais no CNPC: http://www.canalcontemporaneo.art.br/tecnopoliticas/archives/000566.html
[16] Decreto Nº 5.520 de 24.08.2005, que institui o Sistema Federal de Cultura – SFC e dispõe sobre a composição e o funcionamento do Conselho Nacional de Política Cultural – CNPC do Ministério da Cultura: http://www.cultura.gov.br/legislacao/decretos/index.php?p=11540&more=1&c=1&pb=1
[17] Decreto nº 5.761, de 27.04.2006, que regulamenta a Lei n o 8.313, de 23 de dezembro de 1991, e estabelece sistemática de execução do Programa Nacional de Apoio à Cultura – PRONAC: http://www.cultura.gov.br/legislacao/decretos/index.php?p=15407&more=1&c=1&pb=1
[18] Arte revogada: Comissão criada pela Secretaria das Culturas para preservação da paisagem urbana da cidade pede a remoção das 14 esculturas de Marli Mazeredo do espaço público carioca, matéria do Jornal do Brasil de 4 de agosto de 2004: http://www.canalcontemporaneo.art.br/brasa/archives/000223.html
[19] Macieira diz que vai manter Galeria 2 do Sérgio Porto, matéria do jornal O Globo de 25 de junho de 2004: http://www.canalcontemporaneo.art.br/brasa/archives/000191.html
[20] Abaixo-assinado CENSURA NÃO! – Pelo retorno da obra de Márcia X à exposição Erótica no CCBB: http://www.canalcontemporaneo.art.br/brasa/archives/000708.html
[21] Exigimos que a obra censurada pelo CCBB retorne à exposição: http://www.canalcontemporaneo.art.br/brasa/archives/000704.html
[22] Arte Crucificada – Editorial da Folha de S. Paulo em 29 de abril de 2006: http://www.canalcontemporaneo.art.br/brasa/archives/000727.html
[23] Nota à Imprensa: Ministro da Cultura, Gilberto Gil, manifesta-se contrário à proibição de obra da artista plástica Márcia X: http://www.canalcontemporaneo.art.br/brasa/archives/000719.html
[24] Cartas de Rosângela Rennó e Annelise Davée Llerena para o CCBB em 24 de abril de 2006: http://www.canalcontemporaneo.art.br/brasa/archives/000713.html
Carta enviada ao Banco do Brasil pelos artistas Maurício Dias e Walter Riedweg: http://www.canalcontemporaneo.art.br/brasa/archives/000705.html
[25] A obscura seleção do Sergio Porto: http://www.canalcontemporaneo.art.br/forum/viewtopic.php?t=28
[26] Seleção Pública Galerias Sérgio Porto 2005 – Inscrições: http://www.canalcontemporaneo.art.br/saloesepremios/archives/000322.html
[27] Intriga no Sérgio Porto, matéria publicada no jornal O Globo, na capa do Segundo Caderno de quinta-feira, 23 de junho de 2005: http://www.canalcontemporaneo.art.br/forum/viewtopic.php?t=40
[28] Ata final das reuniões da Comissão de Seleção de projetos para o Espaço Cultural Sergio Porto: http://www.canalcontemporaneo.art.br/forum/viewtopic.php?t=36
[29] HiPer> relações eletro//digitais, curadoria de Daniela Bousso, no Santander Cultural, Porto Alegre, 31 de maio a 5 de setembro de 2004.
[30] Ocupação do Paço das Artes, São Paulo, 6 de junho a 16 de julho de 2005.
[31] hiPer>experimentação: http://www.canalcontemporaneo.art.br/quebra/archives/000108.html
[32] Quebra de Padrão: Novos Parâmetros para a Crítica de Arte no Contexto da Cultura Digital: http://www.sapientia.pucsp.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=3185
[33] o quebra na ocupação: http://www.canalcontemporaneo.art.br/quebra/archives/000430.html
[34] Lista de discussão do coletivo Coro: http://br.groups.yahoo.com/group/corocoletivo/
[35] Da lista de discussão do coletivo CORO, sobre a Ocupação do Paço das Artes: http://www.canalcontemporaneo.art.br/quebra/archives/000422.html
[36] Esclarecendo o sentido da Ocupação no Paço das Artes: http://www.canalcontemporaneo.art.br/quebra/archives/000437.html
[37] “Falta apoio à arte”, acusa diretora do Paço, matéria de Fábio Cypriano, publicada originalmente na Folha de S. Paulo, Ilustrada, na terça-feira, dia 5 de julho de 2005:
http://www.canalcontemporaneo.art.br/quebra/archives/000453.html
Proposta de espaço aberto, mas controlado, matéria de Maria Hirszman, originalmente publicada no Estado de São Paulo no dia 15 de Julho de 2005: http://www.canalcontemporaneo.art.br/quebra/archives/000471.html
[38] Governo de SP rebate crítica do Paço das Artes, matéria de Fábio Cypriano publicada originalmente na Folha de S. Paulo, Ilustrada, no sábado, dia 9 de julho de 2005: http://www.canalcontemporaneo.art.br/quebra/archives/000460.html
[39] Participação do Canal Contemporâneo no projeto documenta 12 magazines: http://www.canalcontemporaneo.art.br/documenta12magazines
[40] Os três eixos temáticos da documenta 12: http://www.canalcontemporaneo.art.br/documenta12magazines/archives/000868.php
[41] O projeto documenta 12 magazines: http://www.canalcontemporaneo.art.br/documenta12magazines/archives/000833.php
TV DIGITAL E TV COMUNITÁRIA – por Almir Almas
Sunday, October 12th, 2008TV DIGITAL E TV COMUNITÁRIA
tecnologia de digitalização do sinal de televisão e acesso público
Almir Almas*
Para falar de televisão comunitária hoje é preciso destacar dois conceitos que, de certa forma, reaparecem, de outro modo, na discussão sobre a implantação da televisão digital: acesso público e participação comunitária. Acesso público pode ser facilmente identificado ao conceito de inclusão digital, enquanto que participação comunitária às possibilidades de interatividade, constantes do Decreto 4.901, de 26 de novembro de 2003, e do Decreto 5.820, de 29 de junho de 2006, que institui e implanta, respectivamente, o Sistema Brasileiro de Televisão Digital – Terrestre. Ao pé da letra, não vejo diferença substancial entre acesso público, participação comunitária, inclusão digital e interatividade.
O conceito de acesso público, criado nos Estados Unidos, serviu de parâmetros para um sem número de experiências de acesso aos meios de produção da mídia televisiva em diversos outros países. Não é, simplesmente, explodir o conceito de broadcasting (um emissor e vários receptores), mas, permitir que outros atores participem do jogo de poder que a comunicação institui. Porém, a meu ver, por outro lado, não significa, efetivamente, pulverização do emissor, mas, antes, “acesso” aos meios de produção para se tomar o (ou estar no) lugar do ponto de emissão.
Quanto à participação comunitária, vale a pena retomar aqui as experiências riquíssimas e bem sucedidas das TVs Comunitárias e das TVs de Rua, bem como de grupos de vídeo popular, que tomaram corpo nos anos 80 e 90, com características únicas, que só se vê no Brasil, com suas atuações no espaço urbano e público. Com um misto de política, sociologia, estética e conhecimento tecnológico de ponta, essas experimentações procuravam, efetivamente, realizar uma espécie de “inclusão”, seja através de programação televisiva feita com e pelas comunidades locais, quanto por oficinas e treinamentos que possibilitavam o domínio técnico dos meios de produção de comunicação social.
Nessa seara, destacam-se as experiências da TV VIVA, de Olinda, da TV Maxambomba, da Baixada Fluminense e da TV Anhembi, de São Paulo (experiência encerrada em janeiro de 1993, após a saída de Luíza Erundina, da administração do PT, da prefeitura da cidade); e, mais recentemente, a experiência da TV Pinel, do Rio de Janeiro. Em todas essas TVs Comunitárias, a participação real da população local, a intervenção no espaço público e urbano, o domínio de uma tecnologia de ponta e seu compartilhamento entre a comunidade se fizeram presentes, caracterizando um ambiente da mídia televisiva bem próprio do Brasil. Uma das razões dessa particularidade se deve ao fato de que até 1995, quando da promulgação da Lei 8977/95 (a Lei de TV a Cabo), que institui os Canais de Livre Acesso, o Brasil não tinha nada parecido com os Canais de Acesso Público (Public Access Channels) da Lei promulgada nos Estados Unidos pelo FCC (Conselho Federal de Comunicação), em 1972.
Entrando na discussão da televisão digital, é preciso lembrar que a assinatura do Decreto 5.820, em 29 de junho de 2006, não é, em definitivo, o ponto final dessa questão. Para mim, a importância desse decreto está em abrir uma nova etapa na implantação da televisão digital no Brasil. O referido decreto é a tão esperada peça governamental que trata da implantação do SBTVD-T (Sistema Brasileiro de Televisão Digital – Terrestre), e que estabelece as diretrizes a serem tomadas para a efetivação da transição da televisão analógica para a digital no Brasil.
Na verdade, nem tudo está resolvido com a assinatura e publicação do decreto. O que se definiu foi a base em que se assenta a digitalização da transmissão de televisão terrestre no Brasil, preconizando a incorporação das inovações tecnológicas brasileiras ao padrão de sinais do ISDB-T japonês. Preconiza também a fixação de “diretrizes para elaboração das especificações técnicas a serem adotadas no SBTVD-T, inclusive para reconhecimento dos organismos internacionais competentes” e “a criação de um Fórum do SBTVD-T” para assessorar o Comitê de Desenvolvimento “acerca de políticas e assuntos técnicos referentes à aprovação de inovações tecnológicas, especificações, desenvolvimento e implantação do SBTVD-T.”.
Vejo nessa nova etapa dois caminhos claramente definidos: a) a continuidade das pesquisas e decisões das questões técnicas, em direção às especificações necessárias para a caracterização de um sistema brasileiro (ou internacional, a partir das inovações brasileiras), bem como o intercâmbio entre Brasil e Japão e outros países; b) uma maior atenção às discussões que até então não tiveram grande destaques, como modelo de negócios, produção de conteúdo, legislação, estética, programação e cultura televisiva.
Nesse ponto, posso fazer a ligação entre a televisão digital e a televisão comunitária. Segundo o Decreto 5.820/06, a implantação do SBTVD-T deverá permitir que a União explore “o serviço de radiodifusão de sons e imagens em tecnologia digital”, oferecendo quatro espaços, em operação compartilhada, para abrigar os seguintes canais: a) Canal do Poder Executivo; b) Canal de Educação; C) Canal de Cultura; d) Canal de Cidadania.
Embora, para mim, esse dispositivo esteja aquém do se poderia esperar para a verdadeira democratização da televisão digital, podem estar nesses canais as possibilidades de discussão do que preconizam os dois decretos citados acima (4.901/03 e 5.820/06); e pode estar aí também o momento de colocar em evidência os conceitos de acesso público, participação comunitária, inclusão digital e interatividade. Por outro lado, só a existência desses artigos no âmbito desses decretos não garante nada. A existência, por exemplo, do mecanismo dos Canais de Livre Acesso na Lei do Cabo, por si só, não garantiu uma diversidade de vozes e nem rompeu com o conceito emissor/receptor. Uma grande parte da culpa se deve, creio eu, à questão do financiamento da produção, que, propositadamente, foi deixada de fora daquela lei.
Diante disso, hoje, creio que a boa luta na televisão digital não deve ser simplesmente a luta por mais canais, mas por mecanismos de financiamentos dessas novas e diversas vozes que podem surgem com a digitalização do sinal de televisão.
Finalizando, entendo que os conceitos que norteiam a televisão comunitária são os mesmos que norteiam a luta pela democratização na televisão digital. Os conceitos que estão por trás da batalha para que a população tenha acesso aos meios eletrônicos digitais de informação são os mesmos que anteriormente moviam o acesso público aos canais de televisão. Entendo também que além da simples disponibilização desses espaços livres e democráticos, a verdadeira luta a ser travada deve ser pela sua viabilização econômica.
* Almir Almas é Videoartista; membro dos coletivos C.O.B.A.I.A e Formigueiro; Pesquisador e Professor do CTR/ECA/USP; Doutor em Comunicação e Semiótica, pela PUC/SP.
Novos Meios de Circulação, Novos Meios de Difusão
Sunday, October 12th, 2008Dia 5 – Novembro – São Paulo
Dia 20 – Novembro – Londrina
Novos Meios de Circulação, Novos Meios de Difusão
Objetivo
Discutir os novos meios de comunicação como a TV Digital a Internet e a Rede, fundantes na construção do imaginário social, sujeito histórico e participação social.
Objetivos específicos
TV Digital e TV Comunitária – tecnologia de digitalização do sinal de televisão e acesso público
Internet como meio de circulação e difusão de Arte
Rede [Aparelho] – Experiência de interação entre Arte, Tecnologia e participação social.
Almir Almas – SP
Patricia Canetti – RJ
Arthur Leandro – PA



